Por Karoline Dantas
25/08/2026
As chamadas canetas do Paraguai, utilizadas popularmente para perda de peso e controle do diabetes, têm gerado grave preocupação entre autoridades de saúde e fiscalização no Brasil devido à incerteza sobre o seu conteúdo real e aos severos riscos que representam à população.
Dados das forças de segurança e da Receita Federal apontam um salto vertiginoso no volume de apreensões desse tipo de medicamento na fronteira. No período de um ano, o valor total em produtos contrabandeados interceptados passou de patamares bem mais reduzidos para mais de R$ 47,3 milhões. Esse avanço expressivo expõe a expansão do mercado ilegal impulsionada pela alta procura por substâncias como a tirzepatida e a semaglutida. Vale ressaltar que o contrabando de medicamentos é enquadrado como crime contra a saúde pública, sujeitando os infratores a penas que variam de 10 a 15 anos de reclusão.
O grande perigo dessas versões clandestinas reside na total ausência de garantia quanto à sua composição e integridade sanitária. Especialistas alertam que medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 exigem regras rigorosas de transporte e armazenamento, devendo ser mantidos sob refrigeração contínua antes e durante o uso. Quando esses produtos são submetidos a variações extremas de temperatura no transporte irregular, o princípio ativo pode ser completamente inativado, tornando o tratamento ineficaz.
Além da perda de eficácia, os compostos presentes no líquido das canetas não regulamentadas representam riscos imediatos à integridade física do usuário. Insumos não verificados ou veículos químicos inadequados podem desencadear reações alérgicas violentas, inflamações severas no local da aplicação e até o desenvolvimento de abscessos e infecções graves. A orientação médica é para que qualquer pessoa que tenha utilizado esse tipo de substância e apresente reações adversas busque atendimento hospitalar de urgência.
No âmbito legal e regulatório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária mantém a proibição da comercialização, importação e uso de medicamentos sem o devido registro no país. O Conselho Federal de Medicina também reforça que profissionais que prescrevam, indiquem ou facilitem o acesso a itens obtidos fora da legislação estão sujeitos a apurações rigorosas, podendo responder nas esferas administrativa, civil e penal. Médicos e entidades sanitárias recomendam que qualquer tratamento injetável para emagrecimento seja realizado exclusivamente sob acompanhamento profissional e com medicamentos adquiridos em farmácias autorizadas.
