11/08/2026
O ritmo de alta dos preços no Brasil voltou a desacelerar em julho. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,07% no mês de julho de 2026, apresentando uma queda de 0,09 ponto percentual em relação ao resultado de junho (0,16%).
Trata-se do quarto mês consecutivo de desaceleração do indicador. A trajetória descendente começou após o pico de março (0,88%), seguido por recuos expressivos em abril (0,67%), maio (0,58%), junho (0,16%) e, agora, julho (0,07%).
Com esse resultado, a inflação acumulada no ano atingiu 3,44%. Já no recorte dos últimos 12 meses, o IPCA registrou 4,44%, mantendo-se dentro do intervalo da meta estipulada pelo Banco Central — cujo centro é de 3,00%, com margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%.
O grande responsável pela desaceleração do índice no mês foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou deflação de -0,67%, gerando um impacto negativo de -0,14 p.p. no cálculo geral. O alívio veio, principalmente, da alimentação no domicílio (-1,14%), favorecida pelo recuo expressivo no preço de itens básicos da cesta de compras:
* Tomate: -29,09% (principal impacto negativo individual do mês, com -0,10 p.p.)
* Batata-inglesa: -19,59%
* Cenoura: -14,41%
* Café moído: -2,45%
Em contrapartida, alguns itens de consumo frequente registraram alta, como o leite longa vida (2,47%) e as frutas (1,20%). Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, impulsionada pelo aumento nos preços de lanches (0,76%) e refeições (0,42%).
No grupo Transportes (0,05%), a forte queda nos preços dos combustíveis (-1,44%) ajudou a conter o índice geral. Todos os tipos de combustíveis tiveram recuo: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%). Por outro lado, o grupo não caiu mais devido à alta sazonal das passagens aéreas, que saltaram 11,67%.
Na direção oposta, o grupo Habitação registrou a maior pressão de alta no mês (0,99%), acelerando em relação a junho (0,63%). O grande vilão foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,09% e exerceu o maior impacto individual positivo no mês (0,13 p.p.). O aumento foi impulsionado por reajustes tarifários aplicados em capitais como São Paulo (7,55%), Curitiba (12,15%) e Porto Alegre (0,32%), além da vigência da bandeira tarifária amarela.
A variação dos preços mostrou dinâmicas distintas entre as regiões do país:
* Maior alta: Registrada em Rio Branco (0,32%), impulsionada pelo encarecimento de passagens aéreas (12,27%) e da energia elétrica (2,66%).
* Menor variação (maior queda): Verificada em Belém (-0,45%), motivada pela retração nos preços da gasolina (-3,42%) e do açaí (-14,24%).
Paralelamente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que mede a variação de preços para famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos — registrou leve deflação de -0,01% em julho. No acumulado de 12 meses, o INPC ficou em 4,10%, mostrando um cenário ligeiramente mais brando para as famílias de menor renda.
