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Banco Central corta Selic em 0,25% e taxa chega aos 14% ao ano

05/08/2026

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Com o corte, a taxa caiu de 14,25% para 14% ao ano. O ajuste veio alinhado com a expectativa majoritária do mercado financeiro e representou a quarta redução consecutiva promovida pela autoridade monetária ao longo deste ano.

A decisão do colegiado refletiu a desaceleração gradual dos índices de inflação observada nos últimos meses. Indicadores recentes, como o IPCA de junho e a prévia do IPCA-15 de julho, registraram números abaixo do esperado pelo mercado, impulsionados pela trégua nos preços de alimentos e combustíveis, além do desaquecimento moderado nos setores de comércio e serviços. No ambiente internacional, a acomodação das cotações do petróleo e a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio também ajudaram a aliviar a pressão sobre os preços internos.

Apesar do alívio pontual na inflação e das projeções do Boletim Focus mostrarem recuo nas estimativas do IPCA para este ano, o Banco Central manteve o tom de cautela em seu posicionamento. As expectativas inflacionárias do mercado para o encerramento de 2026 continuam rodando acima do teto da meta contínua fixada pelo Conselho Monetário Nacional. Por conta disso, a diretoria da autarquia ressaltou que manterá a vigilância sobre a trajetória dos preços e que os próximos passos do ciclo de flexibilização monetária continuarão condicionados à evolução dos dados econômicos.

O anúncio ocorreu em meio a novas declarações do governo federal sobre a condução da economia. Mais cedo, no mesmo dia da decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o impacto dos juros elevados sobre os investimentos públicos e a atividade econômica, embora tenha reconhecido a autonomia do Banco Central e defendido a responsabilidade fiscal para viabilizar novas quedas da taxa. Com a Selic fixada em 14% ao ano, investidores e analistas projetam que a taxa possa encerrar 2026 em 13,75%, desde que o cenário de inflação e o ambiente cambial permaneçam favoráveis nos próximos meses.