04/08/2026
O governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi adotada pelo Departamento de Estado americano como resposta retaliatória à recusa do governo brasileiro em conceder vistos a dois diplomatas dos Estados Unidos que pretendiam visitar Brasília antes das próximas eleições, além da demora de Brasília em aprovar a indicação feita pelo presidente Donald Trump para o posto de embaixador no Brasil.
De acordo com representantes do Departamento de Estado americano, a decisão baseou-se no princípio da reciprocidade diplomática. Autoridades americanas afirmaram que a medida chegou a ser adiada em diferentes ocasiões para dar margem a que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuasse de suas posições, o que não ocorreu. O governo norte-americano sinalizou que a revogação do visto poderá ser revertida caso o Brasil aceite a indicação do ex-deputado da Flórida Danny Perez para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
Apesar da medida adotada contra o seu visto diplomático, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti não foi expulsa dos Estados Unidos. Ela poderá ser autorizada a retornar às suas funções oficiais no momento em que houver um entendimento entre os dois países a respeito do novo embaixador americano. Contudo, analistas e autoridades avaliam que a concessão do visto para o indicado de Trump só deve ocorrer após as eleições presidenciais de outubro no Brasil.
O impasse envolvendo os diplomáticos americanos ocorreu após o Brasil negar a entrada de Riley Barnes, secretário de Estado adjunto para democracia, direitos humanos e trabalho, e de seu assessor. Na ocasião, circularam relatos de que a comitiva pretendia fazer críticas ao processo eleitoral brasileiro ou ao governo atual. Em contrapartida, o Departamento de Estado americano declarou que a missão tinha caráter de rotina para tratar de integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão com autoridade e representantes da sociedade civil, rejeitando as alegações de interferência.
O episódio se insere em um contexto de atrito diplomático e comercial entre os dois governos. Recentemente, a administração americana elevou tarifas sobre produtos brasileiros e classificou facções criminosas nacionais como organizações terroristas estrangeiras, decisões criticadas pelo governo brasileiro. As tensões refletem ainda as divergências políticas entre a atual gestão do Executivo brasileiro e o governo Donald Trump.
