Por Tayla Vieira
Brasília 04/08/2026
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, admitiu ter recebido valores da empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A movimentação financeira foi citada pela Polícia Federal no âmbito de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
Em nota divulgada publicamente, Marcola afirmou ter recebido com surpresa as menções ao seu nome. Ele sustentou que os recursos financeiros decorrem de um empréstimo pessoal privado, devidamente quitado, e declarou que a transação não possui qualquer relação com o exercício de suas funções públicas ou com atos ilícitos.
A citação ao ex-assessor surgiu no contexto dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal que miram as atividades de Roberta Luchsinger. A empresária é investigada por suposta atuação em favor de empresários com interesse em órgãos da administração pública federal, entre os quais o Ministério da Saúde, a Anvisa e a Dataprev. Um dos nomes associados às apurações é o do empresário Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Levantamentos dos investigadores apontam que Roberta Luchsinger realizou dezenas de visitas a prédios públicos de ministérios e do Palácio do Planalto, muitas das quais sem registro nas agendas oficiais das autoridades. A Polícia Federal analisa se o relacionamento com familiares e pessoas próximas ao poder era utilizado para facilitar o acesso ou abrir portas no governo federal.
Oficialmente, a exoneração de Marco Aurélio Santana Ribeiro do cargo de chefe de gabinete da Presidência foi atribuída ao seu redirecionamento para atuar na coordenação da campanha eleitoral petista. No entanto, bastidores apontam que o desligamento ocorreu logo após a identificação das transações financeiras e dos desdobramentos das apurações.
As defesas dos envolvidos reagem às apurações. A assessoria de Marcola reitera a ausência de irregularidades na operação de crédito pessoal. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega que ele tenha intermediado negócios, recebido valores ou exercido influência perante agentes governamentais. Já a defesa de Roberta Luchsinger tem sustentado a regularidade de suas atuações de representação comercial. O caso segue sob análise das autoridades policiais e judiciais.
