Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor
31/08/2026
Ao aproximar-se o pleito de 2026, a narrativa política tradicional tenta reviver o pavor de uma ameaça institucional contínua, desenhando a candidatura de Flavio Bolsonaro como um suposto risco iminente de colapso democrático. No entanto, um olhar atento sobre a realidade do país revela que essa disputa discursiva mascara o problema real. O risco tangível que o Brasil enfrenta não reside na repetição de episódios que já se provaram malsucedidos no passado, pois a própria tentativa frustrada de golpe em 2022 demonstrou a força das instituições contra aventuras autoritárias. O perigo real e imediato está na manutenção do atual modelo de gestão estatal sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva.
O debate do próximo pleito não deve se limitar à falsa dicotomia de salvar a democracia, mas sim ao resgate do Brasil como viabilidade econômica e social. A trajetória dos indicadores econômicos do país sob o atual governo aponta para uma rota perigosa. O endividamento público cresce sem sustentabilidade, impulsionado por um gasto desenfreado e pela recusa em implementar reformas estruturais profundas. O ambiente de negócios agoniza sob a incerteza fiscal, minando a confiança de investidores e empurrando o país para uma estagnação que afeta diretamente o cidadão comum.
Um eventual quarto mandato de Lula coloca o país no limiar da dependência total de um Estado apático e ineficiente. Em vez de administrar o orçamento com rigor e responsabilidade fiscal, o atual grupo político opta por inflar a máquina pública, mantendo velhas práticas populistas e convivendo com recorrentes sombras de esquemas de corrupção que historicamente mancham a história do partido. Sem corte de despesas real e sem a coragem para modernizar a estrutura do Estado, o Brasil caminha para a insolvência.
A consequência de insistir nesse rumo não é meramente uma crise passageira, mas a possibilidade concreta de desestruturação socioeconômica. Sem recursos para custear os serviços públicos mais fundamentais, como saúde, segurança e educação, o país flerta com o fantasma de cenários de profunda recessão e hiperinflação, à semelhança do trágico colapso vivenciado pela Venezuela.
A sociedade brasileira não precisa de um salvador da pátria nem de messias políticos. O que a nação exige urgentemente é um administrador técnico, firme e comprometido com o equilíbrio fiscal, que compreenda a gravidade dos números e haja antes que a economia quebre de vez. Reeleger o atual projeto é assinar um atestado de submissão ao atraso e aceitar o risco real de ver o Brasil transformar-se em uma nação empobrecida e sem perspectiva.
*Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Publisher da Amplinews e do Jornal RS Connect.
MTB: 89344 / SP.
