31/08/2026
Uma investigação conduzida pela Polícia Federal colocou sob os holofotes do cenário político nacional a empresa de tecnologia 3Structure IT, pertencente ao empresário Cleber Ribas. A companhia, que já ultrapassou a marca de R$ 81 milhões em contratos com o governo federal, encontra-se no centro de um inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura o envolvimento de figuras próximas à cúpula do poder em um suposto esquema de tráfico de influência e intermediação de negócios públicos.
No cerne das apurações está a atuação da socialite e lobista Roberta Luchsinger, amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mensagens, documentos e registros recuperados pelos investigadores apontam que Roberta teria atuado diretamente como ponte entre empresários e altos escalões de órgãos governamentais para facilitar a contratação de serviços e a liberação de acordos milionários no governo federal.
De acordo com dados extraídos do Portal da Transparência e citados nos relatórios policiais, a 3Structure IT conseguiu fechar pelo menos seis contratos com diferentes ministérios e órgãos da administração pública federal desde o final do ano passado. Do valor total negociado, que supera a casa dos R$ 81 milhões, dezenas de milhões já foram efetivamente pagos às contas da empresa de tecnologia.
A Polícia Federal identificou indícios da existência de uma espécie de “taxa de sucesso” ou comissão prevendo pagamentos ao grupo ligado a Roberta Luchsinger e ao próprio Lulinha, caso os contratos fossem firmados com o poder público. Em trocas de mensagens armazenadas em aparelhos celulares apreendidos, a lobista faz menção explícita a encontros no Palácio do Planalto, articulações com governadores de estado e repasses financeiros que teriam como destino final pessoas de sua rede de contatos políticos.
Registros de portaria confirmam que a lobista realizou dezenas de visitas a órgãos federais e ministérios, mantendo agendas informais sem os devidos registros oficiais exigidos para a transparência do serviço público. A investigação tenta agora mapear se o prestígio político e a proximidade com a família presidencial foram determinantes para que a 3Structure IT levasse a melhor nos processos de contratação de soluções tecnológicas e serviços de informação em pastas federais e também na estatal Dataprev.
Diante do volume de evidências reunidas no inquérito sob relatoria do ministro Flávio Dino, o STF autorizou a continuidade das diligências para apurar os crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa. Enquanto a defesa dos envolvidos nega qualquer irregularidade e alega que as acusações decorrem de ilações descontextualizadas, o avanço das apurações amplia a pressão sobre o governo federal e coloca em xeque a lisura de contratos milionários firmados na área de tecnologia da informação.
