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Em novo recorde, Brasil registra 2,2 milhões de casos de estelionato digital

23/07/2026

O Brasil enfrenta um crescimento expressivo no número de golpes digitais e fraudes financeiras, marca que ultrapassou a barreira dos 2 milhões de casos registrados anualmente e bateu recordes no país. A proliferação dessas práticas criminosas está diretamente ligada à rápida profissionalização das quadrilhas e à adoção de tecnologias de ponta, como inteligência artificial e a montagem de verdadeiras centrais de atendimento telefônico voltadas exclusivamente para a aplicação de fraudes.

A sofisticação das operações impressiona as autoridades. Em vez de abordagens amadoras, grupos criminosos têm estruturado estruturas operacionais comparáveis às de grandes empresas de telemarketing, conhecidas como call centers do crime. Nessas centrais, operadores trabalham com metas de ligações, roteiros de persuasão altamente elaborados e acesso a bancos de dados vazados com informações detalhadas sobre potenciais vítimas.

A tecnologia atua como um catalisador desse fenômeno. O uso de inteligência artificial permitiu a automatização de abordagens, a criação de áudios realistas que clonam vozes de familiares ou autoridades e a geração de textos personalizados em massa. Além disso, ferramentas digitais facilitam o spoofing, técnica que permite mascarar o número de telefone de quem liga para fazer parecer que a chamada vem de um canal oficial de banco ou instituição financeira.

Outro fator determinante para a disparada dos números é a facilidade de direcionar os valores roubados através de mecanismos de pagamentos instantâneos, como o Pix, aliados ao uso de contas laranjas. As facções criminosas perceberam a alta lucratividade e o menor risco do cibercrime em comparação com os crimes patrimoniais violentos, diversificando suas fontes de renda e injetando o capital obtido nessas fraudes em outras atividades ilícitas.

Diante do volume de casos que sobrecarrega as forças policiais, especialistas indicam a necessidade de respostas estratégicas baseadas no combate ao ecossistema da fraude. Isso envolve o aprimoramento do monitoramento de linhas telefônicas suspeitas, o bloqueio rápido de contas usadas para lavagem do dinheiro e a aplicação de inteligência de dados para identificar padrões e desmantelar a infraestrutura por trás dessas grandes centrais do golpe.