Por Guilherme Kalel
04/09/2026
O Supremo Tribunal Federal vivencia uma das crises institucionais mais graves de sua história recente após o ministro Alexandre de Moraes formalizar um pedido de investigação contra seu próprio colega de Corte, o ministro André Mendonça.
Utilizando o Inquérito das Fake News (INQ 4.781), do qual é relator, Moraes acusa Mendonça de praticar supostos crimes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade durante a condução das investigações sobre fraudes no INSS e no Banco Master.
O motivo formal alegado por Moraes para requerer a apuração é fundamentado em relatórios de inteligência encaminhados pela Polícia Federal. O magistrado afirma que Mendonça teria usurpado prerrogativas de autoridades policiais ao atuar diretamente na produção de provas, conduzido de forma irregular negociações para colaboração premiada e direcionado alvos da apuração por razões de cunho pessoal e político, com suposta quebra de imparcialidade judicial.
Entretanto, nos bastidores do Poder Judiciário e do meio político, a iniciativa é apontada como uma clara medida de retaliação que intensifica a guerra aberta entre os dois magistrados. A reação de Moraes ocorreu logo após Mendonça derrubar o sigilo de investigações que expuseram trocas de mensagens e contatos entre Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ao levar ao conhecimento público esses documentos, Mendonça colocou seu colega no centro das atenções, o que levou Moraes a acusá-lo de tentar desviar o foco de investigações que envolveriam outros atores políticos e de usar a estrutura jurisdicional para atingir pares do Supremo.
Diante do agravamento da tensão e da escalada do conflito interno no tribunal, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, adotou uma postura de contenção para conter o desgaste institucional da Corte. Fachin determinou a retirada do pedido de investigação do âmbito do Inquérito das Fake News, impedindo que Moraes conduzisse diretamente as apurações contra o colega de bancada. O presidente do Supremo abriu prazos oficiais para que a Procuradoria-Geral da República e as partes envolvidas prestem os devidos esclarecimentos, assumindo a gestão formal do caso para evitar abusos processuais e tentar pacificar o Plenário em meio ao impasse.
