Por Guilherme Kalel
01/09/2026
O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, solicitou à Polícia Federal o acesso às mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o também ministro do STF Alexandre de Moraes. O pedido tem como base apurações que indicam que o banqueiro tentou utilizar sua influência política para solicitar a intervenção de Moraes a seu favor, objetivando atrasar ou impedir sua prisão após os escândalos envolvendo o Banco Master virem à tona no ano passado.
Nas conversas registradas, Vorcaro questiona abertamente se haveria alguma forma de interceder junto a Paulo ou Andrei. As investigações apontam que Paulo se refere a Paulo Gonet, Procurador-Geral da República e responsável por denunciar o banqueiro. Já Andrei seria uma referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Ambos possuem trânsito livre com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Moraes também é aliado próximo.
A proximidade política de Moraes ficou evidenciada recentemente, quando o ministro organizou um jantar em sua residência para reaproximar o presidente Lula de Davi Alcolumbre, Presidente do Senado Federal. Após meses sem diálogo, a reunião selou uma trégua na relação entre as partes para destravar pautas prioritárias do governo no Congresso Nacional. Um ponto em comum entre os envolvidos é que tanto Alcolumbre quanto Moraes possuem citações ou algum tipo de envolvimento ligado a Daniel Vorcaro.
Outro elemento de peso no cenário é o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banqueiro e o Master com o escritório de advocacia de Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Embora o escritório tenha sido contratado para a prestação de serviços jurídicos à instituição financeira, surgiram indícios de que o próprio ministro teria revisado e dado aval para a formalização do acordo comercial.
Diante do conjunto de dados apresentados, André Mendonça busca aprofundar as investigações sobre os vínculos de Moraes com o Banco Master e seu controlador. O magistrado já mapeia o eventual apoio de seus pares na Corte para viabilizar a abertura formal de um inquérito. O cenário político interno do STF mostra divisão de forças entre os integrantes aptos a votar.
Dos 9 ministros da Corte que possuem direito a voto nesse tipo de deliberação, pelo menos 3 são historicamente próximos a Moraes e tendem a não colaborar com a abertura do processo. Por outro lado, 3 magistrados alinhados a Mendonça indicam voto favorável à apuração dos fatos. A decisão final dependerá dos 3 ministros restantes, que figuram como incógnitas e devem atuar como o fiel da balança no julgamento.
O desfecho da iniciativa pode trazer desdobramentos profundos para a Suprema Corte. Caso o inquérito avance e revele novos elementos comprometedores, a apuração pode levar até mesmo ao afastamento de Alexandre de Moraes de suas funções. Contudo, a depender da articulação política interna e do resultado da votação, o próprio ministro André Mendonça corre o risco de ficar isolado perante o tribunal.
