Por Sofia Garcia
30/08/2026
A estatal Correios encerrou o primeiro semestre de 2026 com um prejuízo líquido acumulado de R$ 5,55 bilhões. O resultado representa uma alta de 30,36% em relação ao déficit de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo período de 2025, evidenciando o quadro financeiro desafiador enfrentado pela companhia.
Apesar da piora no acumulado dos seis primeiros meses do ano, o balanço divulgado mostrou uma leve desaceleração do prejuízo no segundo trimestre. Entre abril e junho, a perda líquida da estatal foi de R$ 2,39 bilhões, valor 5,5% menor do que o saldo negativo reportado no mesmo trimestre do ano anterior. A receita líquida do segundo trimestre ficou em R$ 4,01 bilhões, o que equivale a um recuo de 5,41% na comparação anual, porém com uma recuperação de 3,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2026.
Em nota oficial, a administração da estatal ressaltou que os números refletem o momento de implementação de um amplo plano de reestruturação para reverter o cenário fiscal. Entre as iniciativas adotadas, a empresa prevê a revisão sistemática de despesas e contratos, além da intenção de fechar cerca de 1 mil pontos de atendimento subutilizados.
Outra medida central na tentativa de conter gastos é o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já resultou no desligamento efetivo de 6.545 empregados até o encerramento do semestre. Do total de desligados, 783 funcionários ainda aguardavam a quitação dos incentivos financeiros previstos no plano. A estatal também estuda a alienação e venda de imóveis próprios sem uso, a criação de um marketplace próprio para ampliação de receita e a renegociação de contratos operacionais.
Para garantir liquidez e manter o funcionamento das operações, os Correios vêm recorrendo a captações expressivas de recursos no mercado financeiro. A empresa já contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de cinco bancos, operação que contou com a garantia direta do Tesouro Nacional.
Como contrapartida às operações de crédito contratadas com aval público, o governo federal assumiu formalmente o compromisso de realizar uma capitalização de R$ 6 bilhões na estatal até o final de 2027. O aporte financeiro deve ser incluído na proposta do Orçamento Geral da União.
Além desse montante, a estatal está em estágio avançado para contratar um novo financiamento de R$ 7 bilhões, também com garantia da União, e negocia uma captação de R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), recurso que será direcionado ao plano de modernização tecnológica e logística da empresa.
A diretoria dos Correios reforçou que o resultado acumulado no semestre permanece desafiador e confirma a necessidade de dar continuidade ao processo de reorganização corporativa. A estratégia busca estabilizar a sustentabilidade financeira da estatal diante da acirrada concorrência no mercado de entregas rápidas e logística expressa promovida pelo setor privado de e-commerce.
