Por Guilherme Kalel e Sofia Garcia
26/08/2026
Pesquisadores da Universidade Harvard desenvolveram um aplicativo inovador voltado para auxiliar a locomoção de pessoas com deficiência visual ou baixa visão. Batizado de Mobilio, o sistema atua de maneira semelhante a um serviço de navegação por GPS, como o Google Maps, mas traz recursos adaptados especificamente às necessidades de acessibilidade. O projeto teve seus detalhes e resultados publicados na revista científica Nature Biomedical Engineering.
O diferencial do aplicativo está na combinação da câmera do smartphone, sensores de medição inercial e inteligência artificial para ler o ambiente em tempo real. Em vez de focar apenas em comandos de voz genéricos, a ferramenta identifica elementos urbanos fundamentais, como calçadas, faixas de pedestres e meios-fios, além de alertar sobre eventuais obstáculos.
Para orientar o usuário de forma intuitiva e contínua, o Mobilio utiliza sinais sonoros na forma de bips. O áudio emitido varia de posição — indicando se a direção correta está à esquerda ou à direita — e altera seus padrões de tom e frequência à medida que a pessoa se desloca. A inteligência artificial adapta essas pistas sonoras de acordo com a resposta e as preferências individuais do próprio usuário ao longo do percurso.
Antes de desenvolver a tecnologia, a equipe de Harvard entrevistou mais de cem pessoas com deficiência visual parcial ou total para mapear as principais dificuldades enfrentadas no cotidiano urbano. O objetivo foi criar uma solução prática usando o próprio celular, um dispositivo já amplamente acessível no dia a dia.
Nos testes iniciais realizados com voluntários, o uso do Mobilio em conjunto com a bengala tradicional apresentou resultados promissores. Em trajetos internos, a tecnologia ajudou a reduzir o contato involuntário com obstáculos em cerca de 41%. Já nos percursos externos, os participantes conseguiram realizar o trajeto de forma aproximadamente 13% mais rápida em comparação com o uso de aplicativos de navegação comuns. Segundo os pesquisadores, a precisão das orientações do app foi comparável à assistência prestada por um guia humano.
Ainda em fase de testes, os próximos passos do projeto preveem a expansão dos ensaios para novos ambientes e diferentes cenários urbanos na região de Boston, com o intuito de aprimorar o funcionamento do sistema e facilitar sua integração à rotina de quem precisa.
