Cartas de Kalel

Uma carta a um nobre de alma e coração, e os agradecimentos sinceros de alguém com profundo amor, por ser o melhor pai que eu poderia ter

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

09/08/2026

Hoje é domingo, 9 de agosto de 2026.
Todos nós, pais, passaremos o dia com nossos filhos: seremos abraçados por eles, receberemos carinho e o reconhecimento por tudo o que fazemos — e até pelo que deixamos de fazer — no papel de pai que nos cabe assumir. Para alguns de nós, porém, o abraço apertado e o “Feliz Dia dos Pais” que tanto queríamos dizer ficarão sufocados na garganta, guardados apenas como lembranças na memória, pelo doloroso fato de não termos mais essa pessoa ao nosso lado.

Sim, hoje a pessoa que eu mais gostaria de poder abraçar e a quem desejava professar o meu amor não está mais entre nós. Falo do meu avô — meu querido e amado avô materno —, uma figura imponente que sempre exerceu a presença e a essência de um verdadeiro pai em minha vida, graças a todo o cuidado, carinho e dedicação demonstrados do início ao fim de sua jornada.

Não há como falar sobre Guilherme Kalel, tampouco sobre minha carreira jornalística ou trajetória como escritor, sem antes reverenciar a memória de Otair Rodrigues da Cunha. Ele foi o homem que mais me incentivou e instruiu a correr atrás dos meus sonhos e objetivos, ensinando-me a jamais desistir diante das adversidades. Uma inspiração viva que, mesmo sem saber ler e escrever quando começou, ingressou como auxiliar e se aposentou como chefe de função em uma das maiores empresas deste país: a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Observando seus companheiros de trabalho, ele aprendeu, buscou o conhecimento com esforço diário e venceu. Seu grande objetivo sempre foi proporcionar uma vida melhor para toda a família — uma meta que muitos de nós compartilhamos na caminhada que trilhamos hoje. E ele conseguiu com maestria.

Tudo o que sou hoje, como pessoa e profissional, devo imensamente a esse homem extraordinário. Como sempre fiz questão de lhe dizer em vida — e reafirmei no momento de sua despedida —, ele foi “o melhor pai que eu poderia ter”.

Neste Dia dos Pais, quero registrar mais uma vez a minha profunda homenagem a ele: meus sinceros agradecimentos, meu respeito e minha saudade. Mais do que isso, quero relembrar o quanto a sua ausência pesa e o quanto eu gostaria que ele estivesse aqui hoje.

Ele estaria radiante vendo os bisnetos correndo pela casa. Estaria nos preenchendo com aquele afeto genuíno que sempre fez questão de transbordar em cada gesto. Por tudo isso e por tanto mais, meu avô, eu lhe desejo um Feliz Dia dos Pais. Peço que continue olhando por mim e guie meus passos de onde estiver.

Mais uma vez, muito obrigado por tudo e por ter sido, com tanta nobreza, o melhor pai que eu poderia ter.
*Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Publisher da Amplinews e do Jornal RS Connect.
MTB: 89344/SP