Opinião

Opinião: O tarifaço chega e o Brasil segue perdido

22/07/2026

A imposição e a ameaça de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros inauguram um capítulo delicado e incerto para a economia do país. A combinação de uma sobretaxa de até 25%, acrescida de adicionais que podem chegar a 12,5% sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho escravo e questões regulatórias, pode elevar a carga sobre certos setores a pesados 37,5%. Diante desse cenário adverso, a reação do governo federal revela incertezas e falta de coesão interna. Enquanto setores defendem a reciprocidade imediata e a retaliação comercial, outros apostam no diálogo diplomático e nas negociações técnicas. Essa hesitação expõe uma hesitação estratégica perigosa em um momento em que a clareza de rumos é indispensável.

Na vida prática dos brasileiros, o impacto dessas medidas é imediato e doloroso. O encarecimento das exportações reduz a competitividade das empresas nacionais no mercado norte-americano, o que se traduz em perda de receita para produtores, risco de demissões em massa e desaceleração da atividade econômica em regiões fortemente exportadoras. Além disso, o choque na balança comercial pressiona o câmbio, encarece insumos importados e acaba alimentando a inflação interna, atingindo diretamente o poder de compra das famílias no supermercado.

Para se defender sem piorar o conflito, o Brasil precisa evitar cair na armadilha de uma guerra comercial direta contra a maior economia do planeta, algo que traria prejuízos desproporcionais ao setor produtivo nacional. A resposta do governo deve se fundamentar em uma diplomacia técnica e firme. Isso inclui o fortalecimento das estruturas de fiscalização do trabalho para desarmar a narrativa externa com dados concretos, a busca por mediação em órgãos multilaterais de comércio e a aceleração da diversificação de parceiros comerciais em mercados alternativos. Paralelamente, medidas internas de apoio focado e crédito aos setores mais afetados ajudam a preservar empregos e a capacidade produtiva sem esticar a corda da confrontação tarifária.

No campo político, contudo, o embate ganha contornos eleitorais decisivos. O ataque tarifário de Donald Trump tende a beneficiar a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ganha palanque para se posicionar como o defensor da soberania nacional e dos trabalhadores do país diante de pressões externas. Essa construção ganha ainda mais força ao associar a postura agressiva de Trump às articulações e gestos da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Ao transformar o contencioso econômico em uma disputa geopolítica e de defesa da pátria, a base governista encontra um poderoso argumento político, capaz de mobilizar o eleitorado e desgastar a oposição em pleno ciclo eleitoral.