Opinião

Opinião: ECA completa 36 anos com desafios ainda a serem superados

20/07/2026

O Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecido popularmente pela sigla ECA, completou 36 anos de existência no dia 13 de julho de 2026. Sancionado em 13 de julho de 1990 pela Lei Federal número 8.069, o marco legal celebrou mais de três décadas de história reafirmando o compromisso do país com a proteção das novas gerações.

A importância do ECA para o Brasil é indiscutível. Sua criação representou uma mudança profunda de paradigma ao substituir o antigo Código de Menores, que enxergava crianças e jovens em situação de vulnerabilidade como meros objetos de intervenção e punição do Estado. Com a chegada do estatuto, fundamentado na doutrina da proteção integral prevista na Constituição de 1988, meninas e meninos passaram a ser reconhecidos formalmente como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento. A legislação estabeleceu que a garantia à vida, saúde, educação, convivência familiar e proteção contra a violência é uma prioridade absoluta e uma responsabilidade compartilhada entre a família, a sociedade e o Poder Público.

Contudo, mesmo 36 anos após a promulgação dessa lei inovadora, o Brasil ainda possui muito a desejar na efetivação prática desses direitos. O país continua enfrentando altos índices de trabalho infantil, evasão escolar, exploração sexual e homicídios contra jovens vulneráveis, o que evidencia uma distância preocupante entre a teoria do papel e a realidade vivida diariamente nas periferias e comunidades mais pobres.

Nesse cenário, a rede de garantia de direitos ainda apresenta falhas graves. Serviços essenciais como os conselhos tutelares e as estruturas de atendimento social, a exemplo dos Centros de Referência de Assistência Social e dos Centros Especializados, pecam frequentemente na atenção a quem mais precisa. Muitos conselhos tutelares operam sem infraestrutura básica, faltam profissionais qualificados, vagas na assistência social e orçamento adequado para realizar o acompanhamento preventivo e contínuo de famílias em risco. Com equipes sobrecarregadas e recursos escassos, o sistema muitas vezes atua de forma reativa, sem conseguir intervir a tempo de evitar que violações graves aconteçam. Garantir que o ECA deixe de ser apenas um texto bem escrito e se torne uma proteção concreta exige investimento prioritário e o fortalecimento urgente dessa rede de apoio.