Por Sofia Garcia
06/09/2026
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, afirmou em entrevista que se arrepende de ter apoiado a indicação do ministro Alexandre de Moraes para integrar a Suprema Corte. Usando a expressão popular de que se arrependimento matasse não estaria vivo, o ex-magistrado declarou que o colega de tribunal vem errando a mão na condução de suas atividades.
A manifestação ocorre no contexto de desdobramentos das investigações que envolvem o Banco Master e diálogos do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Marco Aurélio Mello classificou os fatos revelados recentemente como muito sérios e defendeu a transparência nos procedimentos dentro da instituição.
O ex-integrante da Corte relembrou o momento em que defendeu o nome de Moraes ao então presidente Michel Temer, em 2017, após a vaga aberta com a morte do ministro Teori Zavascki. Na ocasião, considerava o perfil do indicado adequado em razão da sua trajetória acadêmica e da experiência prévia acumulada no Ministério Público e na gestão pública.
Na mesma entrevista, Marco Aurélio defendeu a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal referente ao caso do Banco Master. Para o ministro aposentado, o colega agiu de forma correta ao dar publicidade ao material e que o cenário atual do tribunal reflete uma inversão de valores.
Marco Aurélio Mello atuou no Supremo Tribunal Federal durante 31 anos, tendo ocupado a presidência do órgão entre 2001 e 2003. Ele se aposentou do cargo em julho de 2021 ao atingir a idade limite para a atividade.
